O nome Ravenswood é sinônimo de vinhos de qualidade, especialmente quando se fala da Zinfandel. Esta emblemática uva, tão bem adaptada à California, produz vinhos encorpados, bastante aromáticos e, geralmente, com elevada graduação alcóolica (o que não significa, necessariamente, vinho desequilibrado).
Como os vinhos note-americanos são pouco conhecidos no Brasil (O mercado interno deles absorve quase tudo e o que sai é caro!), resolvi apresentar um vinho que fosse ao mesmo tempo representativo e acessível (ao menos nos EU e aqui no Canadá). Por isso, escolhi o Ravenswood Vintner’s Blend Zinfandel. Este vinho nasce de um conceito francês muito interessante, o do “Negociant”. Esta figura, que é uma mescla de comerciante, winemaker e provador, vasculha uma determinada apelação a procura de pequenos produtores que produzam vinhos que se adequem ao estilo de sua vinícola. Estes vinhos podem ser apresentados isoladamente, sob o selo da vinícola, ou pode (o que é mais comum) compor as misturas que estes negociantes elaboram, com a intenção de chegar a um resultado de qualidade. Este trabalho garante a sobrevivência de muitos dos pequenos produtores e demonstra exemplos de grande sucesso.
Joel Peterson, da Ravenswood, é reconhecido não somente como um dos melhores winemakers da Califórnia, mas também como um bom provador de vinhos. Ele tem dedicado boa parte de seu tempo neste trabalho de “garimpagem”, tendo como área em foco a própria California. Este vinho é resultado deste trabalho e do bom tino deste vinicultor de grande habilidade.
A composição deste vinho é de 76% Zinfandel, 9% Carignane, 8% Petit Sirah e 7% outras. Descansa por 12 meses em baril de carvalho francês, sendo 25% novo. O aspecto é límpido, apresentando uma coloração violeta com boa transparência. Boa viscosidade, com largas lágrimas. No nariz proporciona uma agradável e suave sensação. Denota o tradicional aroma de framboesa, bem característico da Zinfandel, e ainda algo de pimenta e canela. Corpo médio para cheio, os taninos são macios e a acidez é bem dosada. A madeira não se sobrepõe, embora marque presença, dando boa estrutura e alguma complexidade.
Um vinho interessante, que além de agradar no cotidiano, ainda serve como objeto de estudo de uma filosofia vitivinicultural que tem ganhado espaço.
Marcelo Oliveira


“Como os vinhos norte-americanos são pouco conhecidos no Brasil (O mercado interno deles absorve quase tudo e o que sai é caro!)”(tinha um erro de redação , eu consertei)
Pincei essa frase sua, para te esplicar uma coisa.A distância do Brasil cria situações as vezes complicadas.
Essa afirmação carece um pouco mas de veracidade.
1)”Como os vinhos norte-americanos são pouco conhecidos no Brasil :
Vc se engana na hora que afirma isso .Vc conhece o livro “O Julgamento de Paris”?É um best seller por aqui.Só os iniciantes de vinho não conhecem vinhos americanos.Lógico, são iniciantes.tEm muito mais gente que bebe vinhos do Tio Sam , que vc imagina.
2)O mercado interno deles absorve quase tudo e o que sai é caro.
Outra afirmação de carece de profundidade.Os Estados Unidos são o maior importador de vinhos do mundo.Sobra vinho americano, dai exportam.
A Mistral, olha o link..
http://www.mistral.com.br/dept.aspx?idDept=932,
trás vinhos da Stags Leap, que custam aqui por volta de 60,00 .Isso mesmo, 30 dólares,considerando o câmbio de 2.É o mesmo que vinhos do Chile ou Argentina.
Desculpe.Por aqui poucas pessoas conhecem o Zinfandel.
É uma casta muito pouco produzida no mundo.Apenas EUA e ITália.
Por aqui preferem o primitivo .
Um abraço
Caro Chiquinho,
Muito obrigado pela visita! É sempre bom trocar idéias.
Agradeço também por apontar o erro de redação. Infelizmente, por falta de revisão, a gente acaba deixando escapar algumas mancadas, como o “esplicar” que escorregou aí.
Bem, apenas para te explicar, moro no Canadá há apenas 2 anos. Minha paixão pelos vinhos é bem anterior. Vamos às tuas ponderações:
Eu não entendi bem, mas pareceu-me que você esteja considerando a leitura de um livro como “conhecer” um vinho. É isto? Não entendo como a leitura de um livro (muito bom, por sinal) pode ser considerada desta forma. Na frase que citei, devo dizer que não levei em consideração o “ter informações” sobre determinado vinho como conhecê-lo.
Sobre o consumo de vinhos pelos americanos. Talvez a aparente superficialidade se desfaça quando olhamos alguns números… vejamos:
Os EUA produzem algo em torno de 1,8 Bilhões de litros de vinho por ano. O consumo anual por habitante é de apenas 7,70 litros. O problema, meu amigo, é que lá eles tem um pouco mais de 300 Milhões de habitantes. isto significa que por ano eles consumem algo na casa dos 2,3 Bilhões de litros! Há uma defasagem de meio bilhão de litros. Entende-se assim porque eles importam tanto e exportam tão pouco (menos de 10% da produção é exportada). Aliás, diga-se de passagem, os EUA são apenas o 4 importador de vinho do mundo, perdendo para Alemanha, Reino Unido e (pasmem) França!
Espero, sinceramente, que haja cada vez mais opções de bons vinhos, não só americanos, com preços convidativos no mercado brasileiro.
No final, acho que concordamos em algo: a Zinfandel é uma uva realmente pouco conhecida no Brasil. Mesmo a sua variação italiana, a primitivo, é pouco conhecida.
Um grande abraço
Marcelo Oliveira
Bom , eu acho muito importante a leitura de livros que nos tragam informaçoes sobre todos os países e vinhos do mundo.É praticamente impossível para um ser humano conhecer tudo sobre vinho apenas bebendo vinhos.Vc aprimora seu paladar degustando vinhos.Mas se vc não tem o embasamento, a noção teórica, o conhecimento,vc se torna apenas um bebedor.
A maioria dos rótulos não tras informações completas sobre regiões ou como o vinho é produzido.E só assim sabemos como muitos vinhos existem e como e onde são produzidos.
E para o público em geral. aquele que não ter poder aquisitivo para viajar a outros países, fica mais correto e simplificado.Hoje morreu Saul Galvâo, que publicou um livro muito bom chamado Tintos e Brancos, um livro que todos deviam conhecer.
abs
Grande Chiquinho,
Permita-me desfazer uma má impressão, caso a tenha deixado. De modo nenhum eu quis diminuir o valor de uma boa leitura.
Eu concordo contigo sobre a importância da leitura para quem quer aprimorar seus conhecimentos sobre o vinho. Tens toda razão.
Mas creio que também concordamos que, neste caso, a teoria sem a prática é igualmente vazia de sentido. Na medida do possível, devemos procurar ter uma experiência empírica daquilo que estudamos nos livros.
Obrigado mais uma vez pelos comentários. Este blog foi criado justamente para isto!
Grande abraço
Marcelo Oliveira